Fundamentos do Diálogo entre Cérebros
O Diálogo entre Cérebros, enquadrado na metodologia de “Trabajo en Alta Performance”, tem as suas raízes na herança intelectual e operativa da Escola de Palo Alto, enriquecida por múltiplas influências teóricas e epistemológicas.
Este enfoque rejeita qualquer adesão rígida a teorias pré-concebidas, privilegiando antes o conhecimento prático e operativo, adquirido através da observação directa e da interação com situações reais. Assim, evitamos a tendência humana para privilegiar o reconhecimento de padrões e damos prioridade ao enfoque no funcionamento singular de cada sistema de interações, considerando de forma especial as percepções individuais.
Principais fundamentos teóricos e históricos
Apresentam-se de seguida, de forma breve e por ordem cronológica, os principais fundamentos que sustentam esta metodologia:
As 36 Estratégias Chinesas
As 36 Estratégias Chinesas constituem uma compilação milenar de tácticas e princípios para enfrentar situações complexas e adversas. Estas estratégias abordam a natureza humana, a interação social e as dinâmicas de poder de forma metafórica e simbólica, facilitando a sua compreensão e aplicação prática em contextos contemporâneos —do pessoal ao empresarial e político. Embora o autor original seja desconhecido, esta obra transcendeu culturalmente, adaptando-se a múltiplos contextos.
El arte de la Metis
proveniente da mitologia grega, representa a inteligência prática, a capacidade de adaptação rápida e a aptidão para resolver problemas com engenho e sagacidade. A Métis manifesta-se em personagens como Ulisses, que supera situações adversas através da astúcia, e Atena, que personifica a sabedoria estratégica. Este conceito sublinha a importância da flexibilidade e da criatividade face à rigidez dos enfoques convencionais de resolução de problemas.
A arte da persuasão
A persuasão é uma habilidade intrínseca ao ser humano, explorada pelos sofistas gregos e sistematizada posteriormente por pensadores como Blaise Pascal. Esta arte foi revitalizada no século XX por Milton Erickson, cujas técnicas terapêuticas se centravam em influenciar positivamente as percepções e comportamentos do indivíduo. Os investigadores da Escola de Palo Alto aplicaram estes princípios, demonstrando a sua eficácia tanto em contextos terapêuticos como organizacionais. Contudo, salientam que a persuasão deve ser utilizada de forma ética, uma vez que pode gerar resultados significativamente positivos ou negativos, dependendo das intenções subjacentes.
Epistemologia construtivista
O construtivismo sustenta que a realidade não é objectiva nem universal, mas sim criada activamente pela percepção do observador. As suas origens filosóficas remontam a Immanuel Kant, mas o seu desenvolvimento moderno deve-se sobretudo a figuras como Paul Watzlawick, Heinz von Foerster e Ernst von Glasersfeld. O construtivismo radical defende que cada indivíduo constrói a sua própria realidade com base na sua percepção e linguagem, estabelecendo uma distinção clara entre a realidade física objectiva e a realidade subjectiva, dependente do observador. Esta perspectiva oferece uma base sólida para gerir diferenças perceptivas em contextos comunicacionais complexos.
Teoria Geral de Sistemas
Ludwig von Bertalanffy formulou esta teoria para explicar os fenómenos organizacionais e biológicos a partir de uma perspectiva holística e sistémica. Propõe compreender os sistemas como conjuntos de elementos inter-relacionados que se mantêm em equilíbrio dinâmico através de mecanismos como a homeostase e a retroalimentação (feedback). Esta visão permite identificar como pequenas alterações num único componente podem afectar todo o sistema, facilitando uma compreensão mais profunda e eficaz das organizações, dos grupos humanos e dos processos comunicativos.
Escola de Palo Alto
Estabelecida em Palo Alto, na Califórnia, esta escola de pensamento revolucionou o estudo da comunicação interpessoal e dos seus efeitos no comportamento humano (Pragmática da Comunicaçao Humana). Figuras proeminentes como Gregory Bateson, Paul Watzlawick e John Weakland introduziram conceitos-chave como o “duplo vínculo” e os “intentos de solução”. As suas investigações sobre a forma como certos intentos para resolver problemas podem, paradoxalmente, perpetuá-los representaram uma mudança radical na compreensão e no tratamento de problemas psicológicos e relacionais. Os seus princípios e técnicas foram aplicados com sucesso na terapia, na consultoria organizacional e na comunicação estratégica.
Lógica Paraconsistente
A lógica paraconsistente, desenvolvida principalmente por Newton da Costa, é uma vertente da lógica que aceita e gere contradições sem cair em absurdos lógicos. Esta lógica é capaz de abordar situações paradoxais e contraditórias —comuns em contextos complexos— mantendo a operatividade do raciocínio. Da Costa introduz o conceito de “quase-verdade”, complementando a lógica tradicional aristotélica e aproximando-se de postulados construtivistas sobre a pluralidade de realidades percebidas. Esta lógica oferece ferramentas úteis para a gestão de conflitos e a tomada de decisões em situações ambíguas e de elevada complexidade.

As 36 Estratégias Chinesas
El arte de la Metis
A arte da persuasão
Epistemologia construtivista
Teoria Geral de Sistemas
Escola de Palo Alto
Lógica Paraconsistente